terça-feira, 24 de novembro de 2009

Piratas, Roqueiros, Rebeldes

24/11/09

Por Pedro Sciarotta

“É 1966. A grande era do Rock ’n’ Roll britânico. Mas a BBC toca menos de 45 minutos de música pop por dia. Dessa maneira, as rádios piratas ancoram no Mar do Norte e tocam pop e rock 24 horas sem parar. E 25 milhões de pessoas – metade da população britânica – ouvem os piratas todos os dias.”

Assim começa o filme Os Piratas do Rock (The Boat That Rocked, no original), do diretor Richard Curtis (Um lugar Chamado Notting Hill, Quatro Casamentos e um Funeral), que mistura ficção com fatos reais, criando uma agradável comédia.

A história propriamente dita começa quando a mãe de Carl o manda para morar com seu padrinho Quentin, após ele ter sido expulso da escola. O garoto passa a viver no barco Rádio Rock, em que Quentin é capitão, juntamente com vários DJ’s, encarregados de manter uma programação constante na rádio pirata.

O barco esbanja alegria e rebeldia o tempo todo, e consegue passar isso para seus ouvintes – até para aqueles que têm de ouvir baixinho ou escondidos. Nem mesmo quando o governo inglês encontra uma brecha para poder ir atrás do barco, que está em águas internacionais, eles desistem. Decidem que não irão parar de tocar, não importa o que aconteça.

http://images.icnetwork.co.uk/upl/birmmail/apr2009/8/1/the-boat-that-rocked-600712817.jpg

O principal destaque do filme são as músicas. Hits dos anos 60 combinados com cenas de movimentação rápida e criativa, com diversos personagens dançando e curtindo, criam um efeito incrível. The Beach Boys, The Who, Rolling Stones, The Kinks, Jimi Hendrix, The Turtles, e por aí vai… a seleção é ótima, e a única falta percebida de cara são os Beatles, que provavelmente não puderam ser usados pelo diretor por algum problema com os direitos das canções.

Um ponto a ser discutido no filme é a “romantização” dos fatos abordados. É evidente que as rádios piratas não foram tão “mágicas” e utópicas como são apresentadas. Na realidade, a maioria das rádios piratas na Europa era financiada com dinheiro estadunidense, com o objetivo de “americanizar” as rádios européias. Isso porque, diferentemente dos Estados Unidos, a lei na Inglaterra (e grande parte da Europa) proibia anúncios comerciais nas rádios, o que afetava as agências de publicidade, já que era um mercado que poderia ser explorado.

http://moviesmedia.ign.com/movies/image/article/955/955672/the-boat-that-rocked-20090220022249033_640w.jpg

Mas no filme tudo é possível, e não poderia acabar de forma trágica ou sob essa chata realidade. Assim como no começo, ele termina com uma mensagem. Diz que no verão de 1967 a época de sucesso das rádios piratas acabou, mas isso não fez com que o sonho dos piratas acabasse. Segue falando que hoje em dia existem 299 estações de rádio no Reino Unido que tocam pop e rock 24 horas por dia, e que apesar de 40 anos já terem se passado, o rock ‘n’ roll continua existindo. Termina mostrando capas de discos de diversas épocas, em um ritmo alucinado.

O filme teve sua estréia no dia 1º de abril, na Inglaterra, e saiu recentemente (13 de novembro) nos Estados Unidos e Canadá. Quanto ao Brasil, ainda não há uma data para ser lançado. O jeito é esperar, ou baixar o filme pela internet. Mas é melhor fazer isso escondido, igual ouvir as rádios piratas.

http://www.billnighy.info/img/2009/tbtr_quad2.jpg

“Bíblia da Música” ganha versão brasileira

Por Pedro Sciarotta
Publicado dia 14/10/09


A revista estadunidense especializada em música, Billboard, ganhou uma edição brasileira. O lançamento foi hoje (dia 14), e a primeira edição sai por R$ 8,90.

A empresa, que já existe desde 1894 nos Estados Unidos, é famosa por publicar rankings com as canções mais populares do momento, e é uma referência no mundo da música (também é chamada de “Bíblia da Música”). Agora, também teremos o ranking das “mais tocadas” no Brasil.

Capa da 1ª edição: Roberto Carlos

Capa da 1ª edição: Roberto Carlos

A versão brasileira, porém, terá algumas modificações em relação à norte-americana. Enquanto a original é publicada semanalmente, a tupiniquim será mensal. Além disso, o público alvo serão os consumidores (assim como é a concorrente Rolling Stone), e não a indústria da música como acontece nos Estados Unidos.

Na capa de estréia está o cantor Roberto Carlos, que completa 50 anos de carreira e é quem mais vendeu discos no Brasil. A matéria envolvendo o “rei” trata sobre os bastidores de sua turnê.

Com chamada na capa também há três matérias interessantes: uma entrevista com Paul McCartney sobre o sucesso dos Beatles na atualidade, uma reportagem sobre os lucros da banda KISS com a exploração de sua marca, e uma matéria sobre a volta dos LP’s e a recuperação da única fábrica de vinil da América Latina (tema abordado no blog no mês passado).

Matéria conta a história da "Bíblia da Música"

Matéria conta a história da "Bíblia da Música"

Outra matéria que tem destaque na revista é “Billboard – uma história de sucesso” onde é contada a história da revista no mundo, ajudando o leitor brasileiro a saber o que a revista já atingiu em outros países.

Tudo indica que a revista chegou para fazer sucesso, e como diz o slogan propagado em suas páginas: “Billboard – Você já ouviu falar. Agora vai ler.”

Twitter: Billboard e Billboard Brasil

Jorge Ben Jor, nós gostamos de você

Publicado dia 01/10/09
Por Pedro Sciarotta


Jorge Ben Jor chegou para animar a festa. Veio todo de branco e com seus óculos escuros característicos. Foi assim que ele fez o show de mais de duas horas e meia no Credicard Hall, no penúltimo sábado de setembro.

O músico misturou hits, que faziam o público pular na pista, com músicas menos conhecidas. Uma das primeiras foi “Salve Simpatia”, que começou a aquecer o espetáculo.

Jorge Ben Jor possui um jeito único de fazer música. Mistura vários estilos (samba, bossa nova, funk, soul, jazz, maracatu, rock ‘n’ roll) para fazer o seu estilo próprio, inconfundível. O cantor e bandleader, que já completa 67 anos, nem de perto aparenta ter essa idade. Na verdade, não parece diferir muito de ser o garoto de 21 anos que fez seu primeiro sucesso com “Mas Que Nada”, música que não poderia faltar no repertório.

Jorge Ben Jor: com 67 anos ainda anima o público

Jorge Ben Jor: com 67 anos ainda anima o público

O músico cantou alguns já tradicionais pot-pourris, como “Por Causa de Você Menina / Chove Chuva”, “Menina Mulher da Pele Preta / O Telefone Tocou Novamente”, e “País Tropical / Spyro Gira”, esse último que fez a galera pular. Outros hits também levantaram o público, como “Engenho de Dentro”, “W/Brasil (Chama O Síndico)” e “Fio Maravilha”, no final da qual Jorge Ben Jor anunciou que faria uma pequena pausa de “cinco minutos”. Antes disso, ele também tocou outras músicas mais “tranqüilas”, mas não menos famosas, como “Os Alquimistas Estão Chegando”, “A Minha Menina”, “Jorge da Capadocia”, “Magnólia”, “Que Maravilha”, e “Ive Brussel”.

Jorge Ben com seus tradicionais óculos escuros

Jorge Ben com seus tradicionais óculos escuros

Jorge Ben voltou ao palco após alguns minutos, e depois de uma introdução, cantou a contagiante “Taj Mahal”: Tê Tê Tê, Têtêretê. Para a música seguinte, “Gostosa”, várias mulheres do público subiram ao palco para cantar e dançar com Jorge. E lá elas continuaram quando Jorge Ben Jor encerrou o espetáculo cantando a mesma música com que começou o show: “Salve Simpatia”.

Ben Jor não se esqueceu de agradecer dois “amigos” que vieram ver seu espetáculo: o rapper Mano Brown e o publicitário Washington Olivetto. E estes com certeza não se decepcionaram. Com seus 67 anos, o músico ainda consegue fazer um show emocionante com o público cantando junto.

A Volta do Disco de Vinil

Por Pedro Sciarotta
Publicado dia 09/09/09


Foi com a chegada do CD, no início da década de 90, que o disco de vinil foi dado como morto. O CD tinha maior durabilidade e não produzia chiados. Além disso, poderia ser tocado em aparelhos menores, sem precisar de uma vitrola. Para “piorar”, há pouco tempo atrás ainda viriam as músicas em MP3, e os players desse formato, deixando os Long Plays (LPs) cada vez mais distantes e esquecidos.

http://colunadallas.files.wordpress.com/2009/04/08_mhg_cult_vinil.jpg?w=466&h=296
Os LPs voltaram!

Agora, eles voltam a ser lembrados. Alguns dizem que o som produzido pelos LPs é melhor do que o som dos seus irmãos mais novos, mas esse não é o motivo da volta do vinil. Hoje em dia, em que é possível “baixar” discografias aos montes, os amantes dos LPs navegam contra a corrente. Fazem de ouvir música um ritual: escolher um disco, uma faixa, colocar pra tocar, e curtir a música. Ouvem para sentir a música, e não para apenas deixá-la como som ambiente enquanto executam outras atividades. Os números são animadores: nos Estados Unidos, o vinil cresceu 37% em número de peças e 64% em dólares, em 2007. Em 2008, o crescimento mais que triplicou: 124% em peças e 148% em dólares.¹

Os LPs, que antes só podiam ser encontrados em sebos, agora começam a ser relançados e podem até ser encontrados em grandes livrarias e “megastores”. Segundo o G1, a Polysom, única fábrica de discos de vinil de toda América Latina, voltará a funcionar ainda em 2009, sob nova administração. Os artistas também entraram na onda. Já é comum nos Estados Unidos e Europa os artistas lançarem seus discos, além de CD, no formato de LP. A tendência é a moda pegar no Brasil, tendo em vista a reabertura da Polysom (situada em Belford Roxo, no Rio de Janeiro).

sala
“Sala de corte” da Polysom

Porém, nem tudo são flores. O preço dos novos LPs ainda é salgado, e “clássicos” antigos ou recém-lançamentos não são encontrados por menos de cem reais. Grande parte é por causa dos impostos, como reclama o dono da Polysom, via Twitter: “Impostos, impostos e mais impostos. Imaginem depois do preço final ainda ter que adicionar mais 24%. De quê? Impostos!”

¹ – http://twitter.com/polysom – Twitter da Polysom, atualizado diariamente com notícias e fotos da fábrica.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

domingo, 16 de agosto de 2009

Yeah, darlin', go make it happen!

Filmes bons são aqueles voltam à sua mente mesmo depois de algum tempo. Podem ser horas, dias, meses, anos, mas acredito que seja possível definir dessa maneira. Aqueles que nos fazem pensar sobre alguma coisa, analisar o ponto de vista de todos pesonagens, e imaginar o que faríamos naquela situação. A bola da vez é Easy Rider. Um filme nos mesmos moldes do famoso livro On the Road, que levanta questões sobre a liberdade e como as pessoas encaram isso. É o velho entrave entre a procura da felicidade no melhor estilo american way of life, buscando viver em uma casa com cerca branca e grama bem verde, e o pensamento antagônico que busca uma vida mais 'livre', sem estar preso a nada.
O filme trata de dois motoqueiros que saem pelos Estados Unidos. Sem preocupações. Sem compromissos.
Um dos diálogos mais importantes do filme, em que é explicado como os dois motoqueiros são vistos pelas outras pessoas:


(clique pra ampliar e sentir a liberdade)

Billy: [...] They're scared, man.
George Hanson: They're not scared of you. They're scared of what you represent to 'em.
Billy: Hey, man. All we represent to them, man, is somebody who needs a haircut.
George Hanson: Oh, no. What you represent to them is freedom.
Billy: What the hell is wrong with freedom? That's what it's all about.
George Hanson: Oh, yeah, that's right. That's what's it's all about, all right. But talkin' about it and bein' it, that's two different things. I mean, it's real hard to be free when you are bought and sold in the marketplace. Of course, don't ever tell anybody that they're not free, 'cause then they're gonna get real busy killin' and maimin' to prove to you that they are. Oh, yeah, they're gonna talk to you, and talk to you, and talk to you about individual freedom. But they see a free individual, it's gonna scare 'em.
Billy: Well, it don't make 'em runnin' scared.
George Hanson: No, it makes 'em dangerous.

Tente falar que você vai largar seu emprego por alguns meses pra viajar por qualquer lugar, sem hotéis marcados, sem certezas. Todos falarão que é loucura, e tentarão te fazer desistir da idéia. Mas a verdade é que todos gostariam de ter essa coragem e de fazer algo assim. Mas eles têm medo. Medo de não ter a certeza. É fácil se acomodar em seu trabalho e repetir todo dia a mesma atividade, é seguro, sem surpresas. Clamam ser livres por estar naquele trabalho porque querem, mas a verdade é que têm medo de fazer qualquer coisa diferente, que saia do padrão. Falam mal e não gostam das pessoas diferentes, que conseguem quebrar essas barreiras invisíveis, mas no fundo, sentem inveja por não terem a coragem de fazer mesmo e estarem presas atrás de suas escrivaninhas.

...Yeah, darlin', go make it happen
Take the world in a love embrace
Fire all of your guns at once and
Explode into space

Like a true nature's child
We were born, born to be wild...
(Born To Be Wild - Steppenwolf)

sábado, 15 de agosto de 2009

Alienígenas

Eu sempre gostei de pensar que eu era um alienígena. Quando eu era pequeno, costumava pensar que tinha sido adotado pela minha mãe, porque tinha sido encontrado dentro de uma espaçonave que havia me mandado de outro planeta.
Eu queria tanto ser de outro planeta. Toda noite eu falava com a minha 'verdadeira' família no céu. Eu sabia que havia milhares de crianças alienígenas na Terra. Elas estavam por toda parte. E eu conheceria alguns deles.
Isso era uma coisa que eu sempre gostava de pensar. Era divertido imaginar isso. Não havia motivo especial para eu estar aqui, e eu sempre sentia saudades de casa. E era o mesmo para os outros alienígenas. Eu teria chance de encontrar outros alienígenas durante toda minha vida.
E eventualmente nós iríamos descobrir, um dia, o que nós tínhamos que fazer.

Kurt Cobain

Filme: About a Son (Retrato de Uma Ausência)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ain't No Reason




Ain't No Reason - Brett Dennen


There ain't no reason things are this way.
It's how they always been and they intend to stay.
I can't explain why we live this way.
We do it every day.

Preachers on the podium speaking to saints.
Prophets on the sidewalk begging for change.
Old ladies laughing from the fire escape,
Cursing my name.

I gotta a basket full of lemons and they all taste the same,
A window and a pigeon with a broken wing,
You can spend your whole life working for something,
Just to have it taken away.

People walk around pushing back their debts,
Wearing paychecks like necklaces and bracelets,
Talking about nothing, not thinking about death,
Every little heartbeat, every little breath.

People walk a tightrope on a razors edge.
Carrying their hurt and hatred and weapons.
It could be a bomb, or a bullet, or a pen,
Or a thought, or a word, or a sentence.

There ain't no reason things are this way.
Its how they've always been and they intend to stay.
I don't know why I say the things I say,
But I say them anyway.

But love will come set me free.
Love will come set me free, I do believe.
Love will come set me free, I know it will.
Love will come set me free, yes.

Prison walls still standing tall.
Some things never change at all.
Keep on building prisons, gonna fill them all.
Keep on building bombs, gonna drop them all.

Working your fingers bare to the bone.
Breaking' your back, make you sell your soul.
Like a lung, it's filled with coal,
Suffocating slow.

The wind blows wild and I may move.
But politicians lie and I am not fooled.
You don't need no reason or a three piece suit,
To argue the truth.

The air on my skin and the world under my toes
Slavery stitched into the fabric of my clothes
Chaos and commotion wherever I go,
Love I try to follow.

Love will come set me free
Love will come set me free, I do believe
Love will come set me free, I know it will
Love will come set me free, yes

There ain't no reason things are this way.
Its how they've always been and they intend to stay.
I can't explain why we live this way.
We do it every day.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cada palavra me dói

Cada palavra me dói.
Teria meu texto ficado melhor se eu tivesse usado a outra, e não esta palavra?
Cada palavra é um parto.
Ter de escolher qual palavra deve entrar no texto, e ter de esquecer tantas outras que ficarão de fora.
Aquela palavra ainda me assombra.
Será que mais pessoas teriam gostado do meu texto se fosse ela a escolhida?
No mundo das palavras, todas pedem para ser usadas.
Sinto muito, palavras. Aqui é só uma por vez.

domingo, 9 de agosto de 2009

She sees the mirror of herself
An image she wants to sell
To anyone willing to buy
(Extraordinary Girl - Green Day)

sábado, 8 de agosto de 2009

10%

Eu seria feliz se fosse 10% do que são algumas pessoas.
Seria feliz se tocasse 10% do que toca Toquinho; se fosse 10% poeta do que foi Vinicius; se tivesse 10% do talento de Kurt; se tivesse 10% da importância dos Beatles, ou da loucura do Pink Floyd.
Seria feliz se tivesse 10% da coragem de Kerouac; fosse 10% revolucionário do que foi Che; tivesse 10% da ousadia de Banksy; se tivesse 10% da maluquez de Raul, ou 10% das idéias de Woody Allen.
E quando somamos as partes para fazer o 100%, entendemos de onde veio o conceito de 'deus'.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A Mudança

Acordei, eram nove horas de domingo. Estranhei o silêncio que não era comum em casa, e até mesmo lá fora. Levantei disposto a tomar café da manhã. Ao passar pelo quarto dos meus pais pude ver que ainda dormiam, o que era um fato inusitado, já que eles acordavam cedo mesmo aos domingos. Porém, não dei bola e me arrastei até a cozinha. Tomei meu café enquanto assistia à qualquer coisa na televisão.
Voltei para o meu quarto – dei novamente uma olhada no quarto dos meus pais – e comecei a ler o livro que se encontrava na minha cabeceira, o qual agora não me recordo o nome. Tão logo comecei a ler, acabei por adormecer, e só fui acordar novamente quando o relógio marcava as onze. O silêncio era o mesmo de antes. Decidi acordar meus pais, pois algo estava errado. Mas eles não acordavam. Fiz de tudo e eles nem ao menos se moviam. Comecei a ficar desesperado. Fui acordar minha irmã para que ela me ajudasse, resolvesse a situação; mas ela estava no mesmo estado que meus pais. As lágrimas já rolavam e eu nem me dava conta. Chorava desesperadamente. Meus pais estavam mortos! Minha família morta! Meu mundo caía e não havia como me segurar. Em um lampejo de racionalidade, tentei ligar para uma ambulância – ninguém respondia. Tentei os meus avós, mas o resultado foi o mesmo. Meu mundo era destruído em segundos e eu não conseguia falar com ninguém. Liguei o computador. Precisava falar com algum amigo, precisava de ajuda; mas ninguém estava lá. Me sentia solitário.
Decidi sair para a rua. Cheguei ao portão de entrada e vi que o porteiro não estava lá. Isso nunca havia acontecido, e resolvi eu mesmo abrir o portão. Demorei alguns segundos, mas achei o botão certo. Deixei o portão aberto, por via das dúvidas. Na rua não havia movimento. Me sentia como a única pessoa viva no planeta. Mas e se eu fosse mesmo? Uma idéia absurda me passou pela cabeça. Será que todos estão mortos? Quanto mais eu andava, mais acreditava que fosse verdade. Passei a imaginar todas as pessoas em suas camas, mortas. Todos indo dormir tranquilamente na noite anterior, sem saber que não mais acordariam. Mas porque eu ainda vivia? O que eu poderia fazer? Todos estavam mortos.
Então comecei a perceber. Percebi que o que eu poderia fazer era a mesma coisa do que se todos estivessem vivos. E isso era não poder fazer nada. Nada que eu fazia mudava qualquer coisa. Meus pensamentos e desejos nunca acabavam uma guerra. Mas percebi que dessa vez eu poderia sim fazer alguma coisa, fazer a diferença. Agora era a hora de mudar o mundo. Sem mais desigualdades ou guerras. Decidi ser a hora do planeta Terra merecer algo melhor. Com todos esses pensamentos, não vi onde meus pés me levaram.
Era uma estação de metrô. Entrei, e evidentemente não havia ninguém. Eu era o único ser em toda a Terra, não me conformava com essa idéia. Pulei a catraca e desci algumas escadas. Um trem acabava de deixar a estação. O metrô era automático, comandado por máquina, e por isso ainda funcionava. Fui até a plataforma e desci para os trilhos. Deitei. Deitei e esperei a mudança chegar.

domingo, 5 de julho de 2009

Quase dez horas

Eram quase dez horas da noite. Saí para uma caminhada. A noite estava agradável, com um friozinho imperceptível. Virei à direita. Passei por uma lanchonete e ouvi Thriller, ao fundo. Michael Jackson havia morrido alguns dias atrás, e não se falava em outra coisa. Há muito não se falava dele, mas agora era só o que tocava nas rádios. Morrer. Morrer é fazer-se grande pelo que já se fez em vida. Eu mesmo nunca fui de escutar Michael Jackson, só conheço as mais famosas, mas já estou com vontade de conhecer mais. Virei à esquerda. Alguns meses atrás só se lembravam de Michael Jackson como um cantor decadente, com acusações de pedofilia. Agora que morreu, foi fantástico e só existem elogios. Morrer. Faz bem para o moral. Virei, e voltei pra casa.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Meu quarto é meio escuro. Mas eu só sei disso porque a cozinha é bem clara.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Deus quer prevenir o mal, mas não consegue?
Então ele não é onipotente.
Ele consegue, mas não quer?
Então ele é malevolente.
Ele quer e ele consegue?
Então porque o mal acontece?
Ele não quer e não consegue?
Então porque chamá-lo de Deus?

- Epicuro

domingo, 31 de maio de 2009

Estava com fome. Fui até a cozinha e peguei o pão de forma. Olhei a data de validade: 09/05.
"O que seria da vida se não houvesse riscos?", pensei colocando o pão na torradeira.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

2 segundos fazem toda diferença.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Annie Hall

"[...] Dão prêmios a esse tipo de música? Antes dessem tampões pros ouvidos.
Prêmios! Eles não fazem nada a não ser dar prêmios! É inacreditável!
Maior ditador fascista: Adolf Hitler"

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Fahrenheit 451

"- Boa-noite! - e foi para casa, mas pareceu lembrar-se de algo e voltou-se, olhando para ele com admiração e curiosidade. - Você é feliz? - perguntou.
- Eu sou o quê? - gritou ele.
Mas ela se fora - correndo sob o luar. A porta da casa fechou-se suavemente."

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Match Point

“The man who said "I'd rather be lucky than good" saw deeply into life. People are afraid to face how great a part of life is dependent on luck. It's scary to think so much is out of one's control. There are moments in a match when the ball hits the top of the net, and for a split second, it can either go forward or fall back. With a little luck, it goes forward, and you win. Or maybe it doesn't, and you lose.”


O homem que disse "Eu prefiro ter sorte do que ser bom" viu profundamente a vida. As pessoas têm medo de encarar que uma grande parte da vida depende da sorte. É assustador pensar que tanto está fora do controle de qualquer um. Há momentos, num jogo, quando a bola atinge o topo da rede e por uma fração de segundo ela pode avançar ou retroceder. Com um pouco de sorte ele vai em frente e você ganha. Ou talvez não, e você perde..”

terça-feira, 28 de abril de 2009

Quando rimos de tudo, às vezes esquecemos o valor de uma risada verdadeira.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Na livraria

- Me vê três metros de livros?
- Alguma preferência?
- Os clássicos!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Quais são as opções depois de um xeque-mate?

Who?

Who will be the king and queen of the outcast teens?

domingo, 12 de abril de 2009

Problem

The problem in being young is that almost all of your ideas have already been created.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

“Cristo está morto, Freud está morto, Marx está morto, e eu mesmo não estou me sentindo muito bem.”
Pichação do Maio francês, 1968

Nunca Falhei em Falhar

"I have never failed to fail"
(You Know You're Right - Nirvana)