segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cada palavra me dói

Cada palavra me dói.
Teria meu texto ficado melhor se eu tivesse usado a outra, e não esta palavra?
Cada palavra é um parto.
Ter de escolher qual palavra deve entrar no texto, e ter de esquecer tantas outras que ficarão de fora.
Aquela palavra ainda me assombra.
Será que mais pessoas teriam gostado do meu texto se fosse ela a escolhida?
No mundo das palavras, todas pedem para ser usadas.
Sinto muito, palavras. Aqui é só uma por vez.

domingo, 9 de agosto de 2009

She sees the mirror of herself
An image she wants to sell
To anyone willing to buy
(Extraordinary Girl - Green Day)

sábado, 8 de agosto de 2009

10%

Eu seria feliz se fosse 10% do que são algumas pessoas.
Seria feliz se tocasse 10% do que toca Toquinho; se fosse 10% poeta do que foi Vinicius; se tivesse 10% do talento de Kurt; se tivesse 10% da importância dos Beatles, ou da loucura do Pink Floyd.
Seria feliz se tivesse 10% da coragem de Kerouac; fosse 10% revolucionário do que foi Che; tivesse 10% da ousadia de Banksy; se tivesse 10% da maluquez de Raul, ou 10% das idéias de Woody Allen.
E quando somamos as partes para fazer o 100%, entendemos de onde veio o conceito de 'deus'.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A Mudança

Acordei, eram nove horas de domingo. Estranhei o silêncio que não era comum em casa, e até mesmo lá fora. Levantei disposto a tomar café da manhã. Ao passar pelo quarto dos meus pais pude ver que ainda dormiam, o que era um fato inusitado, já que eles acordavam cedo mesmo aos domingos. Porém, não dei bola e me arrastei até a cozinha. Tomei meu café enquanto assistia à qualquer coisa na televisão.
Voltei para o meu quarto – dei novamente uma olhada no quarto dos meus pais – e comecei a ler o livro que se encontrava na minha cabeceira, o qual agora não me recordo o nome. Tão logo comecei a ler, acabei por adormecer, e só fui acordar novamente quando o relógio marcava as onze. O silêncio era o mesmo de antes. Decidi acordar meus pais, pois algo estava errado. Mas eles não acordavam. Fiz de tudo e eles nem ao menos se moviam. Comecei a ficar desesperado. Fui acordar minha irmã para que ela me ajudasse, resolvesse a situação; mas ela estava no mesmo estado que meus pais. As lágrimas já rolavam e eu nem me dava conta. Chorava desesperadamente. Meus pais estavam mortos! Minha família morta! Meu mundo caía e não havia como me segurar. Em um lampejo de racionalidade, tentei ligar para uma ambulância – ninguém respondia. Tentei os meus avós, mas o resultado foi o mesmo. Meu mundo era destruído em segundos e eu não conseguia falar com ninguém. Liguei o computador. Precisava falar com algum amigo, precisava de ajuda; mas ninguém estava lá. Me sentia solitário.
Decidi sair para a rua. Cheguei ao portão de entrada e vi que o porteiro não estava lá. Isso nunca havia acontecido, e resolvi eu mesmo abrir o portão. Demorei alguns segundos, mas achei o botão certo. Deixei o portão aberto, por via das dúvidas. Na rua não havia movimento. Me sentia como a única pessoa viva no planeta. Mas e se eu fosse mesmo? Uma idéia absurda me passou pela cabeça. Será que todos estão mortos? Quanto mais eu andava, mais acreditava que fosse verdade. Passei a imaginar todas as pessoas em suas camas, mortas. Todos indo dormir tranquilamente na noite anterior, sem saber que não mais acordariam. Mas porque eu ainda vivia? O que eu poderia fazer? Todos estavam mortos.
Então comecei a perceber. Percebi que o que eu poderia fazer era a mesma coisa do que se todos estivessem vivos. E isso era não poder fazer nada. Nada que eu fazia mudava qualquer coisa. Meus pensamentos e desejos nunca acabavam uma guerra. Mas percebi que dessa vez eu poderia sim fazer alguma coisa, fazer a diferença. Agora era a hora de mudar o mundo. Sem mais desigualdades ou guerras. Decidi ser a hora do planeta Terra merecer algo melhor. Com todos esses pensamentos, não vi onde meus pés me levaram.
Era uma estação de metrô. Entrei, e evidentemente não havia ninguém. Eu era o único ser em toda a Terra, não me conformava com essa idéia. Pulei a catraca e desci algumas escadas. Um trem acabava de deixar a estação. O metrô era automático, comandado por máquina, e por isso ainda funcionava. Fui até a plataforma e desci para os trilhos. Deitei. Deitei e esperei a mudança chegar.

domingo, 5 de julho de 2009

Quase dez horas

Eram quase dez horas da noite. Saí para uma caminhada. A noite estava agradável, com um friozinho imperceptível. Virei à direita. Passei por uma lanchonete e ouvi Thriller, ao fundo. Michael Jackson havia morrido alguns dias atrás, e não se falava em outra coisa. Há muito não se falava dele, mas agora era só o que tocava nas rádios. Morrer. Morrer é fazer-se grande pelo que já se fez em vida. Eu mesmo nunca fui de escutar Michael Jackson, só conheço as mais famosas, mas já estou com vontade de conhecer mais. Virei à esquerda. Alguns meses atrás só se lembravam de Michael Jackson como um cantor decadente, com acusações de pedofilia. Agora que morreu, foi fantástico e só existem elogios. Morrer. Faz bem para o moral. Virei, e voltei pra casa.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Meu quarto é meio escuro. Mas eu só sei disso porque a cozinha é bem clara.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Deus quer prevenir o mal, mas não consegue?
Então ele não é onipotente.
Ele consegue, mas não quer?
Então ele é malevolente.
Ele quer e ele consegue?
Então porque o mal acontece?
Ele não quer e não consegue?
Então porque chamá-lo de Deus?

- Epicuro

domingo, 31 de maio de 2009

Estava com fome. Fui até a cozinha e peguei o pão de forma. Olhei a data de validade: 09/05.
"O que seria da vida se não houvesse riscos?", pensei colocando o pão na torradeira.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

2 segundos fazem toda diferença.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Annie Hall

"[...] Dão prêmios a esse tipo de música? Antes dessem tampões pros ouvidos.
Prêmios! Eles não fazem nada a não ser dar prêmios! É inacreditável!
Maior ditador fascista: Adolf Hitler"

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Fahrenheit 451

"- Boa-noite! - e foi para casa, mas pareceu lembrar-se de algo e voltou-se, olhando para ele com admiração e curiosidade. - Você é feliz? - perguntou.
- Eu sou o quê? - gritou ele.
Mas ela se fora - correndo sob o luar. A porta da casa fechou-se suavemente."

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Match Point

“The man who said "I'd rather be lucky than good" saw deeply into life. People are afraid to face how great a part of life is dependent on luck. It's scary to think so much is out of one's control. There are moments in a match when the ball hits the top of the net, and for a split second, it can either go forward or fall back. With a little luck, it goes forward, and you win. Or maybe it doesn't, and you lose.”


O homem que disse "Eu prefiro ter sorte do que ser bom" viu profundamente a vida. As pessoas têm medo de encarar que uma grande parte da vida depende da sorte. É assustador pensar que tanto está fora do controle de qualquer um. Há momentos, num jogo, quando a bola atinge o topo da rede e por uma fração de segundo ela pode avançar ou retroceder. Com um pouco de sorte ele vai em frente e você ganha. Ou talvez não, e você perde..”