domingo, 16 de agosto de 2009

Yeah, darlin', go make it happen!

Filmes bons são aqueles voltam à sua mente mesmo depois de algum tempo. Podem ser horas, dias, meses, anos, mas acredito que seja possível definir dessa maneira. Aqueles que nos fazem pensar sobre alguma coisa, analisar o ponto de vista de todos pesonagens, e imaginar o que faríamos naquela situação. A bola da vez é Easy Rider. Um filme nos mesmos moldes do famoso livro On the Road, que levanta questões sobre a liberdade e como as pessoas encaram isso. É o velho entrave entre a procura da felicidade no melhor estilo american way of life, buscando viver em uma casa com cerca branca e grama bem verde, e o pensamento antagônico que busca uma vida mais 'livre', sem estar preso a nada.
O filme trata de dois motoqueiros que saem pelos Estados Unidos. Sem preocupações. Sem compromissos.
Um dos diálogos mais importantes do filme, em que é explicado como os dois motoqueiros são vistos pelas outras pessoas:


(clique pra ampliar e sentir a liberdade)

Billy: [...] They're scared, man.
George Hanson: They're not scared of you. They're scared of what you represent to 'em.
Billy: Hey, man. All we represent to them, man, is somebody who needs a haircut.
George Hanson: Oh, no. What you represent to them is freedom.
Billy: What the hell is wrong with freedom? That's what it's all about.
George Hanson: Oh, yeah, that's right. That's what's it's all about, all right. But talkin' about it and bein' it, that's two different things. I mean, it's real hard to be free when you are bought and sold in the marketplace. Of course, don't ever tell anybody that they're not free, 'cause then they're gonna get real busy killin' and maimin' to prove to you that they are. Oh, yeah, they're gonna talk to you, and talk to you, and talk to you about individual freedom. But they see a free individual, it's gonna scare 'em.
Billy: Well, it don't make 'em runnin' scared.
George Hanson: No, it makes 'em dangerous.

Tente falar que você vai largar seu emprego por alguns meses pra viajar por qualquer lugar, sem hotéis marcados, sem certezas. Todos falarão que é loucura, e tentarão te fazer desistir da idéia. Mas a verdade é que todos gostariam de ter essa coragem e de fazer algo assim. Mas eles têm medo. Medo de não ter a certeza. É fácil se acomodar em seu trabalho e repetir todo dia a mesma atividade, é seguro, sem surpresas. Clamam ser livres por estar naquele trabalho porque querem, mas a verdade é que têm medo de fazer qualquer coisa diferente, que saia do padrão. Falam mal e não gostam das pessoas diferentes, que conseguem quebrar essas barreiras invisíveis, mas no fundo, sentem inveja por não terem a coragem de fazer mesmo e estarem presas atrás de suas escrivaninhas.

...Yeah, darlin', go make it happen
Take the world in a love embrace
Fire all of your guns at once and
Explode into space

Like a true nature's child
We were born, born to be wild...
(Born To Be Wild - Steppenwolf)

sábado, 15 de agosto de 2009

Alienígenas

Eu sempre gostei de pensar que eu era um alienígena. Quando eu era pequeno, costumava pensar que tinha sido adotado pela minha mãe, porque tinha sido encontrado dentro de uma espaçonave que havia me mandado de outro planeta.
Eu queria tanto ser de outro planeta. Toda noite eu falava com a minha 'verdadeira' família no céu. Eu sabia que havia milhares de crianças alienígenas na Terra. Elas estavam por toda parte. E eu conheceria alguns deles.
Isso era uma coisa que eu sempre gostava de pensar. Era divertido imaginar isso. Não havia motivo especial para eu estar aqui, e eu sempre sentia saudades de casa. E era o mesmo para os outros alienígenas. Eu teria chance de encontrar outros alienígenas durante toda minha vida.
E eventualmente nós iríamos descobrir, um dia, o que nós tínhamos que fazer.

Kurt Cobain

Filme: About a Son (Retrato de Uma Ausência)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ain't No Reason




Ain't No Reason - Brett Dennen


There ain't no reason things are this way.
It's how they always been and they intend to stay.
I can't explain why we live this way.
We do it every day.

Preachers on the podium speaking to saints.
Prophets on the sidewalk begging for change.
Old ladies laughing from the fire escape,
Cursing my name.

I gotta a basket full of lemons and they all taste the same,
A window and a pigeon with a broken wing,
You can spend your whole life working for something,
Just to have it taken away.

People walk around pushing back their debts,
Wearing paychecks like necklaces and bracelets,
Talking about nothing, not thinking about death,
Every little heartbeat, every little breath.

People walk a tightrope on a razors edge.
Carrying their hurt and hatred and weapons.
It could be a bomb, or a bullet, or a pen,
Or a thought, or a word, or a sentence.

There ain't no reason things are this way.
Its how they've always been and they intend to stay.
I don't know why I say the things I say,
But I say them anyway.

But love will come set me free.
Love will come set me free, I do believe.
Love will come set me free, I know it will.
Love will come set me free, yes.

Prison walls still standing tall.
Some things never change at all.
Keep on building prisons, gonna fill them all.
Keep on building bombs, gonna drop them all.

Working your fingers bare to the bone.
Breaking' your back, make you sell your soul.
Like a lung, it's filled with coal,
Suffocating slow.

The wind blows wild and I may move.
But politicians lie and I am not fooled.
You don't need no reason or a three piece suit,
To argue the truth.

The air on my skin and the world under my toes
Slavery stitched into the fabric of my clothes
Chaos and commotion wherever I go,
Love I try to follow.

Love will come set me free
Love will come set me free, I do believe
Love will come set me free, I know it will
Love will come set me free, yes

There ain't no reason things are this way.
Its how they've always been and they intend to stay.
I can't explain why we live this way.
We do it every day.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cada palavra me dói

Cada palavra me dói.
Teria meu texto ficado melhor se eu tivesse usado a outra, e não esta palavra?
Cada palavra é um parto.
Ter de escolher qual palavra deve entrar no texto, e ter de esquecer tantas outras que ficarão de fora.
Aquela palavra ainda me assombra.
Será que mais pessoas teriam gostado do meu texto se fosse ela a escolhida?
No mundo das palavras, todas pedem para ser usadas.
Sinto muito, palavras. Aqui é só uma por vez.

domingo, 9 de agosto de 2009

She sees the mirror of herself
An image she wants to sell
To anyone willing to buy
(Extraordinary Girl - Green Day)

sábado, 8 de agosto de 2009

10%

Eu seria feliz se fosse 10% do que são algumas pessoas.
Seria feliz se tocasse 10% do que toca Toquinho; se fosse 10% poeta do que foi Vinicius; se tivesse 10% do talento de Kurt; se tivesse 10% da importância dos Beatles, ou da loucura do Pink Floyd.
Seria feliz se tivesse 10% da coragem de Kerouac; fosse 10% revolucionário do que foi Che; tivesse 10% da ousadia de Banksy; se tivesse 10% da maluquez de Raul, ou 10% das idéias de Woody Allen.
E quando somamos as partes para fazer o 100%, entendemos de onde veio o conceito de 'deus'.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A Mudança

Acordei, eram nove horas de domingo. Estranhei o silêncio que não era comum em casa, e até mesmo lá fora. Levantei disposto a tomar café da manhã. Ao passar pelo quarto dos meus pais pude ver que ainda dormiam, o que era um fato inusitado, já que eles acordavam cedo mesmo aos domingos. Porém, não dei bola e me arrastei até a cozinha. Tomei meu café enquanto assistia à qualquer coisa na televisão.
Voltei para o meu quarto – dei novamente uma olhada no quarto dos meus pais – e comecei a ler o livro que se encontrava na minha cabeceira, o qual agora não me recordo o nome. Tão logo comecei a ler, acabei por adormecer, e só fui acordar novamente quando o relógio marcava as onze. O silêncio era o mesmo de antes. Decidi acordar meus pais, pois algo estava errado. Mas eles não acordavam. Fiz de tudo e eles nem ao menos se moviam. Comecei a ficar desesperado. Fui acordar minha irmã para que ela me ajudasse, resolvesse a situação; mas ela estava no mesmo estado que meus pais. As lágrimas já rolavam e eu nem me dava conta. Chorava desesperadamente. Meus pais estavam mortos! Minha família morta! Meu mundo caía e não havia como me segurar. Em um lampejo de racionalidade, tentei ligar para uma ambulância – ninguém respondia. Tentei os meus avós, mas o resultado foi o mesmo. Meu mundo era destruído em segundos e eu não conseguia falar com ninguém. Liguei o computador. Precisava falar com algum amigo, precisava de ajuda; mas ninguém estava lá. Me sentia solitário.
Decidi sair para a rua. Cheguei ao portão de entrada e vi que o porteiro não estava lá. Isso nunca havia acontecido, e resolvi eu mesmo abrir o portão. Demorei alguns segundos, mas achei o botão certo. Deixei o portão aberto, por via das dúvidas. Na rua não havia movimento. Me sentia como a única pessoa viva no planeta. Mas e se eu fosse mesmo? Uma idéia absurda me passou pela cabeça. Será que todos estão mortos? Quanto mais eu andava, mais acreditava que fosse verdade. Passei a imaginar todas as pessoas em suas camas, mortas. Todos indo dormir tranquilamente na noite anterior, sem saber que não mais acordariam. Mas porque eu ainda vivia? O que eu poderia fazer? Todos estavam mortos.
Então comecei a perceber. Percebi que o que eu poderia fazer era a mesma coisa do que se todos estivessem vivos. E isso era não poder fazer nada. Nada que eu fazia mudava qualquer coisa. Meus pensamentos e desejos nunca acabavam uma guerra. Mas percebi que dessa vez eu poderia sim fazer alguma coisa, fazer a diferença. Agora era a hora de mudar o mundo. Sem mais desigualdades ou guerras. Decidi ser a hora do planeta Terra merecer algo melhor. Com todos esses pensamentos, não vi onde meus pés me levaram.
Era uma estação de metrô. Entrei, e evidentemente não havia ninguém. Eu era o único ser em toda a Terra, não me conformava com essa idéia. Pulei a catraca e desci algumas escadas. Um trem acabava de deixar a estação. O metrô era automático, comandado por máquina, e por isso ainda funcionava. Fui até a plataforma e desci para os trilhos. Deitei. Deitei e esperei a mudança chegar.