segunda-feira, 21 de julho de 2014

O Sonho da Vida

O Sonho da Vida
Sequência espiritual de “Não é, John?”
Pedro Sciarotta
A manhã já havia quase acabado e John ainda babava no sofá da sala. Acordei-o no susto e ele resmungou que só estava dormindo. Típico. Minutos depois, na mesa do café, Lennon pegou o jornal. Apesar das notícias do outro lado serem meio tristes, ele deu uma risada. Um homem havia ganhado na loteria e morreu pouco tempo depois em um acidente de carro. As pessoas diziam que era vontade divina ou algo do tipo, mas John não acreditava nisso e começou a ficar todo filosófico para o meu lado. Para ele, Deus era um conceito pelo qual nós mediamos nossa dor. Ele até repetiu. Mastigando um pedaço de peru frio – que ele dizia ser bom para a sua abstinência –, continuou o raciocínio dizendo que não acreditava em mais nada. Nem mesmo nos Beatles, e que o sonho tinha acabado. Calma, John, acabei de acordar, não me solta uma dessas. A verdade é que ele estava com saudades da Yoko, que está lá em Nova York, firme e forte, e aí acaba falando umas bobagens.
Falando em sonhos, o que sonhei na noite passada foi uma loucura. Artistas de diferentes épocas e músicos que nem se conheceram reunidos em uma festa gigante na minha antiga casa. Isso porque eu nem tenho casa atualmente, já que sou novo na região, mas o John foi simpático em me acolher por enquanto. E pensando bem, talvez um dia essa festa se torne realidade já que uma boa parte do pessoal já chegou por aqui, mas é um pouco mórbido que eu fique feliz com esse pensamento.
Saímos após o café e logo ouvi uma guitarra choramingando gentilmente ali perto em um vasto jardim. George Harrison tocava e o sol e a lua se revezavam em uma simples mudança de acordes. Ora vinha um, ora outro. O som era calmo, relaxante. Lembrava-me que eu era apenas um pontinho em um imensurável universo cheio de galáxias - e a vida seguia, eu estando nela ou não. A cítara e todos aqueles outros instrumentos indianos que eu não sei o nome preenchiam o ambiente com leveza. E bom, era só o George que tocava, então eu realmente não sei como ele estava fazendo tudo aquilo.
Quando dei por mim, já era quase noite. Foi aí que avistei Kurt Cobain, sozinho, atravessando o jardim como se andasse em nuvens. Ele se aproximou de nós três. Kurt possuía um cheiro doce, de desodorante feminino, que se misturava com o perfume das flores próximas. Ele disse que havia ouvido falar sobre a minha chegada e como eu era o mais novo a chegar na região, quis saber notícias. Perguntou sobre Courtney e Frances, que eu sabia que havia se tornado uma linda garota. Depois, Kurt quis saber sobre seus ex-companheiros de banda. Eu não tinha conhecido Dave Grohl pessoalmente, mas soube por um amigo de um amigo que Dave estava se divertindo muito ao fazer shows em estádios lotados com a maior banda de rock da atualidade. “Chegar ao topo duas vezes não é pra qualquer um”, disse Kurt enquanto se lembrava da época em que os dois dividiam o mesmo isqueiro para acender um cigarro.
“O primeiro show do Dave com o Nirvana foi no dia em que eu nasci!”, contei parecendo mais um fã do que um amigo – bom, uma coisa não impede a outra. “Nada é por acaso”, respondeu Kurt com um sorriso leve enquanto soprava fumaça. Ele também quis saber sobre Krist, Pati Smith e de quem mais conseguiu se lembrar. Fui respondendo tudo o que pude enquanto caminhávamos junto com John. George ficou para meditar com o restante de luz do pôr-do-sol. Ele sabe que o crepúsculo não dura a tarde toda. E se estiver nublado, basta a mente para soprar as nuvens embora.
A noite caiu de vez e trouxe uma chuva leve. Fomos para o Clube 27, o pub mais popular da região, que já começava a ficar agitado. Além de Kurt, Jimi, Janis e Jim eram grandes frequentadores. Jim, aliás, havia passado um bom tempo sumido e não dizia para ninguém onde esteve – pelo menos foi o que me contaram. Eu aposto que ele estava em Seychelles. Um pouco arriscado, mas... bom, é o Jim, né? Ele adora partir para o outro lado. E também tenho certeza que ele usava aquele anagrama como nome – o tal de Mr. Mojo Rising. Todo poeta é meio narcisista, já repararam? Quer dizer, acho que todos nós somos em algum grau. Mas não é todo mundo que se julga o Rei Lagarto e diz que pode fazer qualquer coisa. Não seria difícil ele não ser identificado, já que deixou a barba crescer e deu uma engordada. Ninguém reconheceria o poeta americano das fotos históricas em pôsteres e capas de revista.
Jim Morrison já parecia estar no bar há algum tempo, com um copo de uísque em uma mão e uma cerveja na outra. Ele adorava a comida soul food do Clube 27. Jim me viu e veio dizer que só havia visto pessoas estranhas nessa noite. Respondi que talvez fosse por ele ser mais estranho, e ele fez uma expressão como que pensando sobre o assunto e concordando ao mesmo tempo. Ele me encarou com olhos vidrados, como que enxergando no fundo da cozinha da minha alma. Como se pudesse ler algum alfabeto secreto e decifrar meus sentimentos, ele sussurrou “aprenda a esquecer, aprenda a esquecer”, antes de levar o copo com uísque e gelo à boca. Ironicamente, eu nunca me esqueceria desse momento.
Ele começou a falar sobre as garotas do bar. Disse que elas tinham um ar solitário e deviam ser de LA, sua terra de coração. Que elas pareciam anjos perdidos e provavelmente vieram dos subúrbios para o blues da cidade noturna. Ele continuava a vociferar outros devaneios, mas meus pensamentos já tinham ido para outro lugar a partir do momento que ele falou “LA”. “Imagina quando os caras do Red Hot Chili Peppers chegarem por aqui?!”, pensei. Quantas histórias cabem em uma Los Angeles só?
Janis apareceu do nada, se agarrando em Morrison e em mim. Já estava bêbada e começou a dar em cima de qualquer um que a ouvisse. Queria entregar pedaços do seu coração a quem estivesse disposto a aceitar. Eu recusei meio sem jeito, e ela falou que iria tentar com um pouco mais de esforço. Não que eu fosse votar nela como o garoto mais feio do colégio, mas Janis simplesmente não fazia meu tipo. Louca demais. Essa é outra verdade sobre os gênios idolatrados. Eles preferem queimar a se apagar aos poucos, como disse Neil Young e replicou Kurt Cobain. Ou o tradicional “espero morrer antes de ficar velho”, como cantava o The Who. Quer dizer, ainda cantam já que Pete Townshend e Roger Daltrey estão lá do outro lado. Meio faça o que eu digo, não faça o que eu faço. Ou melhor: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Jimi nos cumprimentou e veio ver se Janis estava bem. Eles só tinham vindo fazer o esquenta aqui e logo iriam para outro lugar. Os dois queriam dar uma variada e estavam indo para o Pet Sematary, um bar punk próximo em que a galera do Ramones tinha marcado um reencontro.
Após alguns minutos conversando, deixei todos de lado e me afastei atraído por uma voz hipnotizante. Amy Winehouse abria a noite e já soltava os primeiros versos de cima do palco. Apesar de ser relativamente nova por aqui, já se sentia em casa. O Clube 27 era quase sua morada. Ela fez amizade com muita gente: Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e, claro, com quem já havia chegado aqui dos grupos de garotas que faziam sucesso nos anos 60, como as The Ronettes e as The Shangri-Las. Vivia sendo vista com Donny Hathaway, sempre aprendendo alguma coisa nova.
Sentei sozinho em uma mesa onde eu podia observar ao mesmo tempo a cantora e a chuva que caía na rua através do vidro do bar. Por algum motivo, estava me sentindo dentro daquele famoso quadro de Edward Hopper. Pedi uma cerveja enquanto ouvia Amy cantar sobre seus relacionamentos. Que só precisavam alterar o gênero do eu-lírico para serem tão meus também. Entre uma canção e outra, ela era espirituosa e interagia com o público. Em um momento procurava seu pai, mas depois se lembrou de que ele ainda não havia chegado. Em outro, provocou risadas ao admitir que estava bêbada. A gente sabe que ela sempre mantém uma garrafa por perto.
A chuva apertou lá fora. Por trás do vidro eu via as gotas caírem enquanto a voz de Amy Winehouse embalava meus pensamentos. Tudo o que ela cantava era tão melancolicamente bonito. Triste e belo ao mesmo tempo, assim como a cidade na chuva que brilhava suas luzes para ninguém. Era como se o asfalto molhado, além de trazer o reflexo dos faróis, postes e luzes de neon, refletisse também a alma solitária de Amy – enquanto ela dizia não haver problema, já que suas lágrimas secavam sozinhas.
A cantora britânica seguia cantando e agora eu, hipnotizado, não conseguia tirar os olhos dela. Vendo uma mulher resolvida, eu só enxergava uma garota insegura. Talvez isso fosse apenas meu terceiro pint tentando me dizer alguma coisa, mas a dor e a tristeza transmitida pela sua voz tiveram o efeito contrário em mim. Enquanto Winehouse me lembrava de que nós só dissemos adeus com palavras - não com sentimentos - eu percebi que não adiantava continuar daquele jeito.
Nesse instante, me levantei e que compreendi tudo ao meu redor. Se a noite era fria e chuvosa, isso era apenas uma demonstração do meu estado de espírito. Se o sol reinava no céu azul ou as nuvens faziam formas engraçadas, era apenas porque eu queria assim. Aqui era qualquer coisa que eu quisesse que fosse. Um lugar sem guerras, só amor em todas as suas formas. Sem posses, territórios, religiões. Era um lugar para sonhadores, como John queria.
Saí do Clube 27 e o dia brilhava maravilhosamente, feito mágica. Nesse momento, percebi o que havia acontecido comigo. Lembrei as palavras do poema de Percy Shelley, que Mick Jagger usou quando Brian Jones veio para cá. "Paz, paz! Ele não está morto, não está dormindo, apenas acordou do sonho da vida".



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Vai lá, muda o disco.


Coloquei o disco para tocar. 

Tudo com o seu devido cuidado. Retirei a capa do plástico, peguei o LP com as duas mãos (cada uma esticada segurando um dos lados) e o coloquei suavemente sob a agulha da vitrola.

A primeira faixa era incrível. Um ritmo lento, calmo. Aproveitamos para dançar juntinhos e nos conhecer melhor. O registro de novas informações era fácil e a conversa fluía naturalmente. “Ah! Sério que você tem família lá?”. Entre bobagens e descobertas, o mundo girava mais devagar.

Tudo era tão novo e entusiasmante. A segunda faixa logo ganhou mais velocidade. Era a trilha sonora para os nossos filmes e momentos. Aquela excitação no peito ao vê-la entrar no carro, um beijinho para cumprimentar, e o destino já não importava mais.

E quando vimos, já estávamos na terceira música. Algo romântico, cheio de acordes melosos e que inevitavelmente levou aos “eu te amos” e a pergunta-chave. Quer namorar comigo? As respirações ao ouvido eram tranquilas e os planos eram para sempre.

O som se intensificou. O bom e velho rock ‘n’ roll nos acompanhava onde quer que fossemos.  Às vezes éramos solos de guitarra, outras vezes refrão. Mas não importava. A música durou tempo o suficiente para chegar ao topo das paradas, entrar em coletâneas, e ser sempre lembrada por alguém no violão. Hit é hit.

Mas aí veio a quinta faixa. Uma música sem intensidade, que mal dava para ouvir. Nenhum dos dois fez questão de aumentar o volume, até porque não estávamos ao lado da vitrola o tempo todo. Mas o lado A acabou, e senti que seria errado não continuar ouvindo.

Virei para o lado B. Mas o som foi mais do mesmo da faixa anterior e tudo acabou muito rápido, apesar da música se alongar sem fim dentro da minha cabeça.

“Vai lá, muda o disco”, era o que eu queria ouvir. Mas ela parecia não se importar com as rotações eternas de um disco sem lembranças.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Piratas, Roqueiros, Rebeldes

24/11/09

Por Pedro Sciarotta

“É 1966. A grande era do Rock ’n’ Roll britânico. Mas a BBC toca menos de 45 minutos de música pop por dia. Dessa maneira, as rádios piratas ancoram no Mar do Norte e tocam pop e rock 24 horas sem parar. E 25 milhões de pessoas – metade da população britânica – ouvem os piratas todos os dias.”

Assim começa o filme Os Piratas do Rock (The Boat That Rocked, no original), do diretor Richard Curtis (Um lugar Chamado Notting Hill, Quatro Casamentos e um Funeral), que mistura ficção com fatos reais, criando uma agradável comédia.

A história propriamente dita começa quando a mãe de Carl o manda para morar com seu padrinho Quentin, após ele ter sido expulso da escola. O garoto passa a viver no barco Rádio Rock, em que Quentin é capitão, juntamente com vários DJ’s, encarregados de manter uma programação constante na rádio pirata.

O barco esbanja alegria e rebeldia o tempo todo, e consegue passar isso para seus ouvintes – até para aqueles que têm de ouvir baixinho ou escondidos. Nem mesmo quando o governo inglês encontra uma brecha para poder ir atrás do barco, que está em águas internacionais, eles desistem. Decidem que não irão parar de tocar, não importa o que aconteça.

http://images.icnetwork.co.uk/upl/birmmail/apr2009/8/1/the-boat-that-rocked-600712817.jpg

O principal destaque do filme são as músicas. Hits dos anos 60 combinados com cenas de movimentação rápida e criativa, com diversos personagens dançando e curtindo, criam um efeito incrível. The Beach Boys, The Who, Rolling Stones, The Kinks, Jimi Hendrix, The Turtles, e por aí vai… a seleção é ótima, e a única falta percebida de cara são os Beatles, que provavelmente não puderam ser usados pelo diretor por algum problema com os direitos das canções.

Um ponto a ser discutido no filme é a “romantização” dos fatos abordados. É evidente que as rádios piratas não foram tão “mágicas” e utópicas como são apresentadas. Na realidade, a maioria das rádios piratas na Europa era financiada com dinheiro estadunidense, com o objetivo de “americanizar” as rádios européias. Isso porque, diferentemente dos Estados Unidos, a lei na Inglaterra (e grande parte da Europa) proibia anúncios comerciais nas rádios, o que afetava as agências de publicidade, já que era um mercado que poderia ser explorado.

http://moviesmedia.ign.com/movies/image/article/955/955672/the-boat-that-rocked-20090220022249033_640w.jpg

Mas no filme tudo é possível, e não poderia acabar de forma trágica ou sob essa chata realidade. Assim como no começo, ele termina com uma mensagem. Diz que no verão de 1967 a época de sucesso das rádios piratas acabou, mas isso não fez com que o sonho dos piratas acabasse. Segue falando que hoje em dia existem 299 estações de rádio no Reino Unido que tocam pop e rock 24 horas por dia, e que apesar de 40 anos já terem se passado, o rock ‘n’ roll continua existindo. Termina mostrando capas de discos de diversas épocas, em um ritmo alucinado.

O filme teve sua estréia no dia 1º de abril, na Inglaterra, e saiu recentemente (13 de novembro) nos Estados Unidos e Canadá. Quanto ao Brasil, ainda não há uma data para ser lançado. O jeito é esperar, ou baixar o filme pela internet. Mas é melhor fazer isso escondido, igual ouvir as rádios piratas.

http://www.billnighy.info/img/2009/tbtr_quad2.jpg

“Bíblia da Música” ganha versão brasileira

Por Pedro Sciarotta
Publicado dia 14/10/09


A revista estadunidense especializada em música, Billboard, ganhou uma edição brasileira. O lançamento foi hoje (dia 14), e a primeira edição sai por R$ 8,90.

A empresa, que já existe desde 1894 nos Estados Unidos, é famosa por publicar rankings com as canções mais populares do momento, e é uma referência no mundo da música (também é chamada de “Bíblia da Música”). Agora, também teremos o ranking das “mais tocadas” no Brasil.

Capa da 1ª edição: Roberto Carlos

Capa da 1ª edição: Roberto Carlos

A versão brasileira, porém, terá algumas modificações em relação à norte-americana. Enquanto a original é publicada semanalmente, a tupiniquim será mensal. Além disso, o público alvo serão os consumidores (assim como é a concorrente Rolling Stone), e não a indústria da música como acontece nos Estados Unidos.

Na capa de estréia está o cantor Roberto Carlos, que completa 50 anos de carreira e é quem mais vendeu discos no Brasil. A matéria envolvendo o “rei” trata sobre os bastidores de sua turnê.

Com chamada na capa também há três matérias interessantes: uma entrevista com Paul McCartney sobre o sucesso dos Beatles na atualidade, uma reportagem sobre os lucros da banda KISS com a exploração de sua marca, e uma matéria sobre a volta dos LP’s e a recuperação da única fábrica de vinil da América Latina (tema abordado no blog no mês passado).

Matéria conta a história da "Bíblia da Música"

Matéria conta a história da "Bíblia da Música"

Outra matéria que tem destaque na revista é “Billboard – uma história de sucesso” onde é contada a história da revista no mundo, ajudando o leitor brasileiro a saber o que a revista já atingiu em outros países.

Tudo indica que a revista chegou para fazer sucesso, e como diz o slogan propagado em suas páginas: “Billboard – Você já ouviu falar. Agora vai ler.”

Twitter: Billboard e Billboard Brasil

Jorge Ben Jor, nós gostamos de você

Publicado dia 01/10/09
Por Pedro Sciarotta


Jorge Ben Jor chegou para animar a festa. Veio todo de branco e com seus óculos escuros característicos. Foi assim que ele fez o show de mais de duas horas e meia no Credicard Hall, no penúltimo sábado de setembro.

O músico misturou hits, que faziam o público pular na pista, com músicas menos conhecidas. Uma das primeiras foi “Salve Simpatia”, que começou a aquecer o espetáculo.

Jorge Ben Jor possui um jeito único de fazer música. Mistura vários estilos (samba, bossa nova, funk, soul, jazz, maracatu, rock ‘n’ roll) para fazer o seu estilo próprio, inconfundível. O cantor e bandleader, que já completa 67 anos, nem de perto aparenta ter essa idade. Na verdade, não parece diferir muito de ser o garoto de 21 anos que fez seu primeiro sucesso com “Mas Que Nada”, música que não poderia faltar no repertório.

Jorge Ben Jor: com 67 anos ainda anima o público

Jorge Ben Jor: com 67 anos ainda anima o público

O músico cantou alguns já tradicionais pot-pourris, como “Por Causa de Você Menina / Chove Chuva”, “Menina Mulher da Pele Preta / O Telefone Tocou Novamente”, e “País Tropical / Spyro Gira”, esse último que fez a galera pular. Outros hits também levantaram o público, como “Engenho de Dentro”, “W/Brasil (Chama O Síndico)” e “Fio Maravilha”, no final da qual Jorge Ben Jor anunciou que faria uma pequena pausa de “cinco minutos”. Antes disso, ele também tocou outras músicas mais “tranqüilas”, mas não menos famosas, como “Os Alquimistas Estão Chegando”, “A Minha Menina”, “Jorge da Capadocia”, “Magnólia”, “Que Maravilha”, e “Ive Brussel”.

Jorge Ben com seus tradicionais óculos escuros

Jorge Ben com seus tradicionais óculos escuros

Jorge Ben voltou ao palco após alguns minutos, e depois de uma introdução, cantou a contagiante “Taj Mahal”: Tê Tê Tê, Têtêretê. Para a música seguinte, “Gostosa”, várias mulheres do público subiram ao palco para cantar e dançar com Jorge. E lá elas continuaram quando Jorge Ben Jor encerrou o espetáculo cantando a mesma música com que começou o show: “Salve Simpatia”.

Ben Jor não se esqueceu de agradecer dois “amigos” que vieram ver seu espetáculo: o rapper Mano Brown e o publicitário Washington Olivetto. E estes com certeza não se decepcionaram. Com seus 67 anos, o músico ainda consegue fazer um show emocionante com o público cantando junto.

A Volta do Disco de Vinil

Por Pedro Sciarotta
Publicado dia 09/09/09


Foi com a chegada do CD, no início da década de 90, que o disco de vinil foi dado como morto. O CD tinha maior durabilidade e não produzia chiados. Além disso, poderia ser tocado em aparelhos menores, sem precisar de uma vitrola. Para “piorar”, há pouco tempo atrás ainda viriam as músicas em MP3, e os players desse formato, deixando os Long Plays (LPs) cada vez mais distantes e esquecidos.

http://colunadallas.files.wordpress.com/2009/04/08_mhg_cult_vinil.jpg?w=466&h=296
Os LPs voltaram!

Agora, eles voltam a ser lembrados. Alguns dizem que o som produzido pelos LPs é melhor do que o som dos seus irmãos mais novos, mas esse não é o motivo da volta do vinil. Hoje em dia, em que é possível “baixar” discografias aos montes, os amantes dos LPs navegam contra a corrente. Fazem de ouvir música um ritual: escolher um disco, uma faixa, colocar pra tocar, e curtir a música. Ouvem para sentir a música, e não para apenas deixá-la como som ambiente enquanto executam outras atividades. Os números são animadores: nos Estados Unidos, o vinil cresceu 37% em número de peças e 64% em dólares, em 2007. Em 2008, o crescimento mais que triplicou: 124% em peças e 148% em dólares.¹

Os LPs, que antes só podiam ser encontrados em sebos, agora começam a ser relançados e podem até ser encontrados em grandes livrarias e “megastores”. Segundo o G1, a Polysom, única fábrica de discos de vinil de toda América Latina, voltará a funcionar ainda em 2009, sob nova administração. Os artistas também entraram na onda. Já é comum nos Estados Unidos e Europa os artistas lançarem seus discos, além de CD, no formato de LP. A tendência é a moda pegar no Brasil, tendo em vista a reabertura da Polysom (situada em Belford Roxo, no Rio de Janeiro).

sala
“Sala de corte” da Polysom

Porém, nem tudo são flores. O preço dos novos LPs ainda é salgado, e “clássicos” antigos ou recém-lançamentos não são encontrados por menos de cem reais. Grande parte é por causa dos impostos, como reclama o dono da Polysom, via Twitter: “Impostos, impostos e mais impostos. Imaginem depois do preço final ainda ter que adicionar mais 24%. De quê? Impostos!”

¹ – http://twitter.com/polysom – Twitter da Polysom, atualizado diariamente com notícias e fotos da fábrica.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

domingo, 16 de agosto de 2009

Yeah, darlin', go make it happen!

Filmes bons são aqueles voltam à sua mente mesmo depois de algum tempo. Podem ser horas, dias, meses, anos, mas acredito que seja possível definir dessa maneira. Aqueles que nos fazem pensar sobre alguma coisa, analisar o ponto de vista de todos pesonagens, e imaginar o que faríamos naquela situação. A bola da vez é Easy Rider. Um filme nos mesmos moldes do famoso livro On the Road, que levanta questões sobre a liberdade e como as pessoas encaram isso. É o velho entrave entre a procura da felicidade no melhor estilo american way of life, buscando viver em uma casa com cerca branca e grama bem verde, e o pensamento antagônico que busca uma vida mais 'livre', sem estar preso a nada.
O filme trata de dois motoqueiros que saem pelos Estados Unidos. Sem preocupações. Sem compromissos.
Um dos diálogos mais importantes do filme, em que é explicado como os dois motoqueiros são vistos pelas outras pessoas:


(clique pra ampliar e sentir a liberdade)

Billy: [...] They're scared, man.
George Hanson: They're not scared of you. They're scared of what you represent to 'em.
Billy: Hey, man. All we represent to them, man, is somebody who needs a haircut.
George Hanson: Oh, no. What you represent to them is freedom.
Billy: What the hell is wrong with freedom? That's what it's all about.
George Hanson: Oh, yeah, that's right. That's what's it's all about, all right. But talkin' about it and bein' it, that's two different things. I mean, it's real hard to be free when you are bought and sold in the marketplace. Of course, don't ever tell anybody that they're not free, 'cause then they're gonna get real busy killin' and maimin' to prove to you that they are. Oh, yeah, they're gonna talk to you, and talk to you, and talk to you about individual freedom. But they see a free individual, it's gonna scare 'em.
Billy: Well, it don't make 'em runnin' scared.
George Hanson: No, it makes 'em dangerous.

Tente falar que você vai largar seu emprego por alguns meses pra viajar por qualquer lugar, sem hotéis marcados, sem certezas. Todos falarão que é loucura, e tentarão te fazer desistir da idéia. Mas a verdade é que todos gostariam de ter essa coragem e de fazer algo assim. Mas eles têm medo. Medo de não ter a certeza. É fácil se acomodar em seu trabalho e repetir todo dia a mesma atividade, é seguro, sem surpresas. Clamam ser livres por estar naquele trabalho porque querem, mas a verdade é que têm medo de fazer qualquer coisa diferente, que saia do padrão. Falam mal e não gostam das pessoas diferentes, que conseguem quebrar essas barreiras invisíveis, mas no fundo, sentem inveja por não terem a coragem de fazer mesmo e estarem presas atrás de suas escrivaninhas.

...Yeah, darlin', go make it happen
Take the world in a love embrace
Fire all of your guns at once and
Explode into space

Like a true nature's child
We were born, born to be wild...
(Born To Be Wild - Steppenwolf)

sábado, 15 de agosto de 2009

Alienígenas

Eu sempre gostei de pensar que eu era um alienígena. Quando eu era pequeno, costumava pensar que tinha sido adotado pela minha mãe, porque tinha sido encontrado dentro de uma espaçonave que havia me mandado de outro planeta.
Eu queria tanto ser de outro planeta. Toda noite eu falava com a minha 'verdadeira' família no céu. Eu sabia que havia milhares de crianças alienígenas na Terra. Elas estavam por toda parte. E eu conheceria alguns deles.
Isso era uma coisa que eu sempre gostava de pensar. Era divertido imaginar isso. Não havia motivo especial para eu estar aqui, e eu sempre sentia saudades de casa. E era o mesmo para os outros alienígenas. Eu teria chance de encontrar outros alienígenas durante toda minha vida.
E eventualmente nós iríamos descobrir, um dia, o que nós tínhamos que fazer.

Kurt Cobain

Filme: About a Son (Retrato de Uma Ausência)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ain't No Reason




Ain't No Reason - Brett Dennen


There ain't no reason things are this way.
It's how they always been and they intend to stay.
I can't explain why we live this way.
We do it every day.

Preachers on the podium speaking to saints.
Prophets on the sidewalk begging for change.
Old ladies laughing from the fire escape,
Cursing my name.

I gotta a basket full of lemons and they all taste the same,
A window and a pigeon with a broken wing,
You can spend your whole life working for something,
Just to have it taken away.

People walk around pushing back their debts,
Wearing paychecks like necklaces and bracelets,
Talking about nothing, not thinking about death,
Every little heartbeat, every little breath.

People walk a tightrope on a razors edge.
Carrying their hurt and hatred and weapons.
It could be a bomb, or a bullet, or a pen,
Or a thought, or a word, or a sentence.

There ain't no reason things are this way.
Its how they've always been and they intend to stay.
I don't know why I say the things I say,
But I say them anyway.

But love will come set me free.
Love will come set me free, I do believe.
Love will come set me free, I know it will.
Love will come set me free, yes.

Prison walls still standing tall.
Some things never change at all.
Keep on building prisons, gonna fill them all.
Keep on building bombs, gonna drop them all.

Working your fingers bare to the bone.
Breaking' your back, make you sell your soul.
Like a lung, it's filled with coal,
Suffocating slow.

The wind blows wild and I may move.
But politicians lie and I am not fooled.
You don't need no reason or a three piece suit,
To argue the truth.

The air on my skin and the world under my toes
Slavery stitched into the fabric of my clothes
Chaos and commotion wherever I go,
Love I try to follow.

Love will come set me free
Love will come set me free, I do believe
Love will come set me free, I know it will
Love will come set me free, yes

There ain't no reason things are this way.
Its how they've always been and they intend to stay.
I can't explain why we live this way.
We do it every day.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cada palavra me dói

Cada palavra me dói.
Teria meu texto ficado melhor se eu tivesse usado a outra, e não esta palavra?
Cada palavra é um parto.
Ter de escolher qual palavra deve entrar no texto, e ter de esquecer tantas outras que ficarão de fora.
Aquela palavra ainda me assombra.
Será que mais pessoas teriam gostado do meu texto se fosse ela a escolhida?
No mundo das palavras, todas pedem para ser usadas.
Sinto muito, palavras. Aqui é só uma por vez.

domingo, 9 de agosto de 2009

She sees the mirror of herself
An image she wants to sell
To anyone willing to buy
(Extraordinary Girl - Green Day)